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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ainda os sinos- a voz do ferro e do bronze


Vou partir...talvez para sempre;
Levem-me os ecos da serra.
Estes sons que hei-de amar sempre,
Os sinos da minha terra.
de João de Lemos
Temos uma publicação da revista "Renascença" de 1933, que além de assuntos vários da época, tem um artigo sobre sinos que passamos a partilhar convosco.

Durante os 1ºs sécs do Evangelho, só se usaram campainhas para chamar os fiéis a assistir aos actos do culto, mas com as perseguições, a própria campaínha desapareceu. Sendo preciso celebrar o culto, nada que pudesse atrair suspeitas era conveniente, e a convocação para as cerimónias passou a fazer-se por intermédio dos "cursores", mensageiros a quem cabia a tarefa de avisar os crentes. Como o número destes aumentava dia a dia,era impossível ao cursor procurar cada um. Começa então um novo processo que consistia em que no final da cerimónia, o celebrante avisava o local e hora da próxima reunião de crentes. O tempo corre e, Constantino, o grande imperador, convertido, o Cristianismo deixou de ser a religião perseguida das catacumbas e já se fazem ouvir, para convocar para os ofícios, os sonoros PRATOS DE METAL, ou as ricas Trombetas de prata, a MATRACA... Mas Sabino sobe à cadeira de Pedro em 604 e começa o reinado dos sinos.
No séc.XII, tomam proporções consideráveis e no decorrer do séc.XVI, principiam a ser ricamente ornados. Gravam inscrições tiradas das Escrituras, no bojo grava-se o nome do doador, do padrinho ou madrinha.
Quando a espada de D.Afonso Henriques conquistou para nós o alvará da independência, já os sinos cantavam por todo o nosso torrão.